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Salvador + Praia do Forte

Salvador é a cidade onde o Brasil se encontra com a África — e essa frase não é metáfora. Primeira capital do país e maior cidade negra fora do continente africano, Salvador carrega nas pedras do Pelourinho, nos ritmos do Ilê Aiyê e nas raízes do quilombo Kaônge a memória de um povo que foi trazido à força e que, mesmo assim, construiu uma das culturas mais vivas e resistentes do mundo. A poucos quilômetros ao norte, Praia do Forte guarda outra forma de resistência: a das baleias jubarte que voltam a cruzar o litoral baiano e das tartarugas que encontram nas praias da Bahia um lugar seguro para desovar. Esta experiência atravessa história, ecologia marinha, ancestralidade e conservação — e coloca os alunos diante de uma pergunta que permeia tudo: o que escolhemos preservar, e por quê?

Principais Temas Abordados

Diáspora Africana e Resistência Cultural: Salvador concentra a maior expressão da diáspora africana nas Américas. Compreender essa história — do tráfico negreiro à formação dos quilombos, da repressão ao candomblé à fundação do Ilê Aiyê — é compreender que a cultura afro-brasileira não é herança passiva: é resistência ativa que continua sendo construída e disputada até hoje.

Comunidades Quilombolas e Territórios de Memória: O quilombo Kaônge, na região do Iguape, é um território vivo de memória, identidade e luta. Os alunos compreendem o que são comunidades quilombolas, quais são seus direitos, quais os desafios que enfrentam e como seu modo de vida preserva práticas culturais e ambientais que o Brasil contemporâneo precisa reconhecer e proteger.

Patrimônio Histórico e Leitura Crítica do Espaço: O centro histórico de Salvador, Patrimônio Mundial da UNESCO, é simultaneamente um monumento à arquitetura colonial e um registro concreto do trabalho escravo que o ergueu. Os alunos aprendem a ler o espaço urbano criticamente: quem construiu, quem habitava, quem foi excluído — e o que a preservação do patrimônio celebra ou silencia.

Arte, Corpo e Identidade — O Ilê Aiyê: Fundado em 1974, o Ilê Aiyê foi o primeiro bloco afro do Brasil e um marco da afirmação da identidade negra no país. A dança afro não é entretenimento: é linguagem política, celebração da ancestralidade e instrumento de autoestima coletiva. Os alunos compreendem a arte como forma de resistência e transformação social.

Conservação das Baleias Jubarte: As baleias jubarte chegam ao litoral da Bahia entre julho e novembro para reprodução — um evento de magnitude ecológica e emocional. O Projeto Baleia Jubarte, com sede em Praia do Forte, é referência internacional em pesquisa e conservação de cetáceos. Os alunos compreendem o que ameaça esses animais, como a ciência monitora seus movimentos e o que a presença das baleias revela sobre a saúde do oceano.

Tartarugas Marinhas e a Ciência da Conservação: O litoral norte da Bahia é uma das principais áreas de desova de tartarugas marinhas do Brasil. O Projeto TAMAR trabalha há mais de quatro décadas para proteger esses animais e sensibilizar as comunidades costeiras. Os alunos compreendem as ameaças — poluição por plásticos, luminosidade artificial, pesca acidental, câmbio climático — e o papel da ciência e do engajamento comunitário na sobrevivência das espécies.

Ecossistemas Costeiros — O Manguezal: Os manguezais do litoral baiano são berçários da vida marinha, filtros naturais da água e barreiras contra a erosão costeira. Explorar um manguezal em campo é compreender, de forma visceral, o que são serviços ecossistêmicos — e o que se perde quando esses ambientes são destruídos pela especulação imobiliária e pelo desenvolvimento desordenado.

Turismo, Desenvolvimento e Sustentabilidade: Praia do Forte é um dos destinos turísticos mais visitados do Nordeste. Os alunos observam como o turismo transforma uma comunidade — gerando renda e visibilidade, mas também pressionando ecossistemas frágeis e deslocando populações locais. A experiência coloca em debate o que distingue o turismo responsável do turismo predatório.

Atividades

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Workshop: Projeto Baleia Jubarte

Entre julho e novembro, as baleias jubarte percorrem até 8.000 quilômetros para chegar ao litoral da Bahia e se reproduzir — e o Projeto Baleia Jubarte, com base em Praia do Forte, acompanha esse movimento há mais de três décadas. Neste workshop, os alunos conhecem a biologia e o comportamento dos maiores animais que visitam o litoral brasileiro, compreendem as metodologias científicas de identificação, monitoramento acústico e pesquisa de campo, e debatem as principais ameaças à sobrevivência dos cetáceos: colisões com embarcações, poluição sonora, plásticos e as mudanças nas correntes oceânicas provocadas pelo aquecimento global. Uma janela direta para a ciência da conservação marinha.
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Workshop: Projeto Tartaruga Marinha

Cinco das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo desovam no litoral brasileiro — e o Projeto TAMAR, presente em Praia do Forte desde a década de 1980, é uma das iniciativas de conservação mais longevas e reconhecidas do país. Neste workshop, os alunos aprendem a distinguir as espécies que visitam o litoral baiano, compreendem o ciclo de vida das tartarugas e os fatores que o tornam extraordinariamente vulnerável: a desorientação causada pela luz artificial, a ingestão de sacolas plásticas confundidas com águas-vivas, o aquecimento das praias e a captura acidental em redes de pesca. A atividade conecta ciência, conservação e a responsabilidade de cada escolha cotidiana sobre o uso do plástico e da energia.
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Workshop: Comunidade Quilombola Kaônge

O quilombo Kaônge, situado na região do Iguape, no Recôncavo Baiano, é um território de memória, resistência e identidade. Neste workshop — conduzido em parceria com lideranças da própria comunidade —, os alunos compreendem o que são quilombos e quilombolas, quais são os direitos territoriais garantidos pela Constituição de 1988 e os obstáculos concretos que comunidades como Kaônge enfrentam para exercê-los. A experiência vai além da informação: é um encontro entre modos de vida, visões de mundo e formas de relação com a terra que desafiam os alunos a repensar o que significa pertencimento, território e justiça.
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Workshop: Dança Afro Ilê Aiyê

Fundado em 1974 no bairro da Liberdade, em Salvador, o Ilê Aiyê foi o primeiro bloco afro do Brasil — criado num contexto de intensa repressão à cultura negra — e tornou-se um dos mais poderosos símbolos de resistência e afirmação da identidade afro-brasileira no mundo. Neste workshop, os alunos vivenciam a dança afro como linguagem: aprendem movimentos, compreendem sua origem nas tradições do candomblé e da África Ocidental, e debatem o papel da arte e do corpo como instrumentos políticos de luta contra o racismo e de celebração da ancestralidade. Uma experiência que move o corpo e expande a consciência.
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Tour Histórico em Salvador

Roteiro a pé pelo centro histórico de Salvador, onde cada esquina é um documento da história do Brasil. Os alunos percorrem o Pelourinho — Patrimônio Mundial da UNESCO —, visitam igrejas barrocas construídas com o trabalho de pessoas escravizadas, conhecem os espaços onde a resistência negra se organizou e leem a cidade simultaneamente como obra de arte colonial e como registro material da desigualdade. O tour convida os alunos a não apenas contemplar o patrimônio, mas a interrogá-lo: quem construiu? Quem habitava? Quem foi apagado da narrativa oficial? E o que preservar significa quando a história é também uma história de violência?
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Passeio de Escuna

Saída marítima pela Baía de Todos os Santos, a segunda maior baía do Brasil, que banha Salvador e o Recôncavo Baiano. A bordo de uma escuna, os alunos observam a linha da cidade a partir do mar, compreendem a importância estratégica da baía na história do Brasil — porto de chegada de navios negreiros, rota de escoamento da produção colonial — e conectam a paisagem atual aos processos históricos e ambientais que a moldaram. A atividade também permite uma leitura da ecologia costeira: correntes, marés, ilhas, mangues e a relação entre a saúde da baía e as ações humanas em sua bacia hidrográfica.
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Expedição ao Manguezal

Atividade de campo imersiva em um trecho de manguezal do litoral baiano, onde os alunos atravessam as raízes aéreas do mangue, observam a diversidade de espécies que habitam esse ecossistema — caranguejos, moluscos, aves, peixes juvenis — e compreendem por que o manguezal é chamado de berçário do mar. A expedição conecta ecologia, serviços ecossistêmicos e conservação: os alunos saem com uma compreensão concreta do que se perde quando um manguezal é aterrado para construção de condomínios ou marinas, e do que está em jogo nas decisões de uso do solo no litoral brasileiro.
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Zipline e Passeio de Buggy

A Reserva da Sapiranga, em Praia do Forte, é um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do litoral norte da Bahia — um corredor de floresta densa entre o mar e a Lagoa Timeantube que abriga fauna e flora típicas dos ecossistemas costeiros baianos. O zipline sobre o dossel da reserva oferece uma perspectiva incomum desse ambiente: suspensos entre as copas das árvores, os alunos visualizam a estrutura vertical da Mata Atlântica e compreendem o que significa um remanescente florestal preservado em meio a um litoral fortemente pressionado pelo turismo e pela urbanização. O passeio de buggy pelas trilhas da reserva completa essa leitura do território, tornando concretos os conceitos de ecossistemas costeiros e importância das áreas de proteção ambiental.

    Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

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